quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A santa cigana: "Santa menina"

O município de Florânia, a 244 quilômetros de Natal, além de possuir atrações naturais, como cachoeiras, também possui um local religioso que atrai muitas pessoas durante os finais de semana e inícios de mês. É o Monte das Graças, lugar tranqüilo que abriga o Santuário de Nossa Senhora das Graças. O local guarda na sua história lendas que até hoje permanecem vivas e incorporadas à própria trajetória da cidade.

Localizado a cerca de 2 quilômetros de Florânia, o monte apresenta-se aos romeiros através de uma subida ornada com paradas que representam as 15 estações de Cristo. O detalhe fica por conta dos azulejos colocados nessas paradas. Neles pode-se acompanhar através de pinturas, o caminho que Cristo percorreu quando foi crucificado. Para os que vão ao local cumprir penitência, as estações, mostrando um exemplo maior, servem como incentivo para prosseguir.

Após a longa subida, os visitantes deparam-se no alto do monte com o santuário. Ele é formado por uma capela, uma praça de oração, uma casa de votos e um centro de estudos batizado com o nome de Centro de Estudos Linguagem e Reflexão Dom Heitor Araújo Sales.

Na frente da capela - bastante simples - três estátuas permanecem como que protegendo Florânia: padre Cícero, padre Ibiapina e Frei Damião. Na praça de oração outras estátuas em estilo rústico representam Jesus Cristo (de braços abertos e voltado para a cidade) e as três crianças que, na Itália, tiveram a visão de Nossa Senhora de Fátima.

A sala de votos fica localizada ao lado da capela e guarda consigo mistérios que remontam a própria história do local. Lá, próteses, pequenas esculturas de madeira representando mãos e pernas, bonecas, imagens e fotografias recontam a tradição nordestina de deixar representações de seus males para poder obter a cura. Esses objetos deixam no ar a curiosidade em saber quais suas histórias; e se as graças pedidas foram alcançadas. Há também nessa sala uma imagem do Frei Damião e da "Santa Menina", figura religiosa que é o centro de uma das histórias mais interessantes sobre o local.

Além disso, há a vista propiciada pelo local e o clima ameno que abranda mesmo a alta temperatura do Seridó. Esses dois fatores, somados ao sentimento de religiosidade que cerca o santuário, causam em qualquer um, até nos menos religiosos, uma agradável sensação de tranqüilidade e também uma vontade de lá permanecer o maior tempo possível.

Porteiro retrata a religiosidade do povo

O sentimento de religiosidade e a vontade de permanecer no Santuário são comprovados pelo porteiro do local, o agricultor Raimundo Rodrigues da Silva, 75. De acordo com ele as pessoas que visitam a região logo se afeiçoam. "Eu via sim que o povo que ia aí não tinha mais vontade de sair", contou.

Há cerca de quatro anos Raimundo trabalha no local. Desde então, ele ficou responsável por abrir o santuário às 5h e fechá-lo às 17h30. Quem colocou Raimundo nessa função foi o padre José Dantas Cortez, recentemente falecido. Esse sacerdote, conforme Raimundo, foi o responsável pelo maior desenvolvimento do santuário, que antes contava apenas com um cruzeiro e a capela. "Nós não vamos ver outro padre bom como esse", ressaltou o agricultor.

Além disso, ele também já foi atendido em algumas promessas que fez. Recentemente, por exemplo, Raimundo vinha sofrendo de uma dor na perna que o impedia de subir o monte nos dias em que missas eram celebradas. Ele resolveu então fazer uma promessa para a "Santa Menina", entidade que considera mais "valida" que Nossa Senhora das Graças. "Se eu ficasse bom da perna, assistiria à missa do 1o domingo do mês. A pé", contou. Atualmente, o agricultor já se considera atendido. "Eu acho que já estou bem melhor", concluiu.

(fonte: http://www.tribunadonorte.com.br/especial/redescobrindo/010617/010617.htm)


História da Imagem


O monte de Nossa Senhora das Graças teve sua origem do sonho de um frade de nome Otavio em 1946, o qual sonhou com uma menina que dizia existir num dos montes da cidade de Florânia, um milagre. Que era o seguinte: numa época de secas nesta região, a menina que viajava com os pais retirantes, afastou-se deles perto do monte, entretendo-se na procura de frutas de cardeiro, um cacto muito abundante no local, para alimentar-se, como não soube mais voltar morreu de fome e principalmente de sede no alto da serra.

O frade veio procurar o monte, que no sonho tinha como marco uma cerca cortando-a ao meio, justamente a divisa das terras dos fazendeiros João da Mata Toscano e Francisco Assis do Amaral, outro sinal era uma frondosa umburana, em cujo tronco, a menina – santa estava enterrada até a cintura com uma fruta de cardeiro na mão. Esta Umburana serviu de ponto de partida para a comprovação dos milagres ocorridos no local. Esta árvore exalava um perfume santo, daí as pessoas passaram a utiliza-lo como remédio, usando as suas folhas e cascas para curar doenças, mediante votos feitos pelos fiéis.

A utilização desta umburana teve uma repercussão tão abrangente, que com o decorrer do tempo foi destruída. Hoje dela só resta parte do seu tronco como relíquia santa e marco religioso, o mesmo está preservado dentro de uma dependência denominada “casa dos milagres”, destinada a guardar objetos trazidos pelos romeiros, representando votos feitos pela população religiosa.

Ao chegar a cidade o frade procurou o vigário Ambrosio Silva e pediu-lhe apoio. Este acompanhou-o até o local, juntamente com o sacristão Abílio Córdula. Lá foram outras vezes, sendo que no momento que encontraram o corpo da santa-menina, o frade quis fazer o trajeto sozinho. Decorrido algum tempo foi enviado a nossa cidade, um vulto semelhante ao da menina achada pelo frade. Com a chegada desta imagem, a cidade toda correu extasiada, o povo queria comprovar, observando se a menina-santa parecia com seus familiares, outros até queriam furar o corpo da menina-santa com alfinetes para saber se sangrava.

Devido a vários tumultos os Padres acharam por bem enviar a dita imagem para um local desconhecido. Em 1998 no cinqüentenário da festa do Santuário das Graças foi encontrada a imagem da santa-menina em meio aos objetos do Cônego Estanislau Piechel em sua residência, onde foi exposta no local do Milagre, e encontra-se ate hoje. No local do aparecimento do milagre foi escolhida para ser cultuada a imagem de Nossa Senhora das Graças.

O frade Otavio antes de voltar aconselhou o dono das terras, no caso o Sr. João da Mata Toscano, a construir uma capela no local do milagre. Para o trabalho de construção da capela toda a comunidade colaborou, como não existiam estradas para o local, o material usado foi usado pelos romeiros que incansavelmente subiam varias vezes ao local, levando telhas, tijolos e outros material. Pessoas da época contam que as veredas que davam para o monte mais pareciam formigueiros, de tanta gente subindo e descendo o local.

Em 07 de dezembro de 1947, foi celebrada a 1ª missa pelo Cônego Ambrósio Silva, no monte de Nossa Senhora das Graças sob a umburana. Prosseguida a construção da capela ao ser concluída foi celebrada a 1ª missa em 07 de Dezembro de 1948, a partir de 1949, a festa de Nossa Senhora das Graças ficou sendo festejada a 27 de Novembro, por este dia de ação de Graças ate nossos dias a data da festa e preservada.

Constantemente as pessoas seguem em romarias para pagar promessas e fazer orações no alto do monte, soltam fogos, rodeiam a capela de joelhos, rezam novenas e outras manifestações de fé.

O saudoso Padre José Dantas Cortez, incentivou muito as romarias para o monte das graças, celebrando missas, retiros, novenas, reuniões ou prestando serviços e melhoramentos no santuário.

A fé do povo não tem fronteira. Quanto mais tempo passa,é retratada através de fatos e graças alcançadas. Atualmente o Monte encontra-se muito bem estruturado para romarias e peregrinações com um centro de treinamento e reflexões, as estações, estrada calçada, um horto, a gruta de Nossa Senhora de Lourdes, local para celebrar missas campais, eletrificação e água encanada.

O monte de Nossa Senhora das Graças não é apenas uma das ilustres páginas da história de Florânia, como também e referenciado e enaltecido como ponto turístico da cidade e do RN.

(fonte: http://www.flordoserido.com.br/?site=monte )

Horário de visitas 

das 05:30h da manhã às 17:30h de domingo a domingo
todo 1º e 3º domingo do mês celebração da Santa Missa ás 7:30 da manhã.
Mais Informações através do Telefone - (84) 3435-2702 - Secretaria da Paróquia.

seguem as fotos da nossa visita:









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