quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Audiência Pública em favor dos ciganos de Tangará/RN

Realizada hoje quarta feira dia 30, uma Audiência Pública na Câmara Municipal de Tangará. Convocada por Diana COEPPIR. 

Estiveram presentes: Sanzia Fernandes e Maria de Fátima Ramalho - SESAP/SIEC, Diana COEPPIR, lideranças ciganas da comunidade, órgãos da prefeitura, Estado, CDH. o Assessor do Prefeito - Giovannu Cézar, Secretária Adjunta de Assistência Social - Maria José Mendonça, Secretário de Limpeza Urbana - José Francisco Dantas, Chefe do Gabinete Civil - Pedro Batista, Coordenador de Defesa Civil - José Silvestre, Membro da Secretaria Municipal de Educação - Vilma Simone da Costa, Representante das Secretaria Municipal de Saúde - Isolda Rodrigues, o Vereador Ricardo Vicente, representando a Câmara de Vereadores. 

O objetivo é de discutir os direitos sociais da CF, em favor dos ciganos da comunidade de Tangará/RN. Sob esse tema, fora pontuadas as necessidades básicas da comunidade cigana, que a aproximadamente 12 anos vem sofrendo sob sol e chuva.

Ocupando parte de uma área privada e parte da rua desativada às margens da BR. Morando em barracas já substituídas em meados de março do corrente ano pela prefeitura, e anteriormente já pleiteadas por nós no corrente ano. 

Na ocasião, O ex-prefeito Gija falou que junto com Diana, estão buscando recursos, para em breve se fazer a primeira vila cigana do RN,e em Tangará, para dar condições de moradia digna ao povo cigano que a aproximadamente 12 anos, escolheram Tangará para morar. 

Na audiência pública foram discutidas as dificuldades de sobrevivência da comunidade cigana, contrariando o texto constitucional em suas cláusulas pétreas;  

Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.

 O resultado da audiência foi positivo, pois os órgãos envolvidos se comprometeram em dar suporte para uma condição de vida digna e humana para o povo cigano de Tangará. De pronto serão novamente substituídas as lonas das barracas que estão danificadas, o ex-prefeito Gija, afirma que se empenhará ao máximo na questão de moradia para os ciganos, e que todos os avanços já conquistados, não irão retroceder, e que o sonho da vila cigana é algo que muito em breve será realizado. 

Fotos/vídeos:

  

 

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

IX Encontro Estadual da ANEPS – RN

Participamos do IX Encontro Estadual da ANEPS RN, em parceria com os rons Omar Ivanovich e Albanyza Rodrigues, divulgando a cultura cigana, aonde na oportunidade fizemos uma demonstração semelhante a de um ritual de casamento cigano. segue abaixo a programação do evento.

PROGRAMAÇÃO

Data: 24 e 25 de outubro de 2013
Tema: a politica nacional de educação popular em saúde e vivência das práticas de educação popular em saúde.

Objetivo: promover espaços de interlocução entre poder público e sociedade civil sobre o contexto da politica nacional de educação popular em saúde no RN;
Público alvo: lideranças dos movimentos sociais e populares e práticas de educação popular em saúde, educadores em saúde, instituição de formação e gestores.

Local: praia mar hotel (parceria com ces-rn)

1º dia: 24/10/2013

8 h – abertura com acolhida e vivência
Proposta: vivência religiosidade da diversidade que temos na aneps – RN:
9 h – mesa de diálogo sobre a pneps e suas definições a nivel nacional e estadual e sua interface com os movimentos sociais e as práticas de educação popular em saúde:
· Ministério da saúde (pneps e suas definições);
· Comitê nacional de eps (pneps e sua interface com movimentos sociais e as práticas de educação popular em saúde;
· CPS/SIEC (PEEPS e a constituição do comitê);
· ANEPS – RN; (o que identificamos nesta relação com MS/CPS/movimentos sociais e práticas populares, relação com as politicas educação popular, promoção equidade, plano estadual de saúde, constatações)
11 h – debate
12 h – almoço
14 h – vivência (dança cigana - Diana)
14h 30 m – questões para trabalhar em grupos (por regiões: mato grande, agreste, Trairi, Potengi, Seridó, alto – oeste, oeste e natal/grande natal):
1 – identificar as ações de educação popular em saúde na região?
2- como vivencio a educação popular em saúde a partir das ações que desenvolvo?
3 - quais as maiores potencialidades e dificuldades para vivenciar a educação popular em saúde nas regiões e municípios?
15 h 30 m – lanche (partilha solidária)
15 h 45m – apresentação dos grupos
16h 45m – práticas de cuidado em educação popular em saúde... (oficinas teóricas e vivenciais)
· Dança circular
· Biodança
· Massoterapia
· Rezadeiras
· Tai chi chuan e reike
· arte terapia e bioenergética

2º dia: 25/10/2013


8 h – abertura com acolhida e vivência) capoeira (djair)

9 h – mesa de diálogo: educação popular em saúde nos espaços institucionais públicos e sua interface com os movimentos sociais e populares.
· NESC/UFRN – centro de práticas complementares e integrativas em saúde
· GREGOM/UFRN – práticas tradicionais e complexidade
· SESAP/CPS/PIC’S – como tem atuado nas regionais e na sesap
· ANEPS-RN - experiências de educação popular em sáude
11 h – debate
12h – almoço
13h 30m – vivência prática integrativa
14h – trabalho em grupo: (plano: o que, como, quem, quando?)
· o que fazer para fortalecer a aneps no rn?
· o que fazer para implantar e implementar a peeps e o comitê estadual ?
· Como fortalecer os espaços de participação e controle social na discussão da educação popular em saúde?
15h - apresentação dos grupos
16 h – encaminhamentos
17 h – vivência de encerramento e lanche

Fotos/Videos:

 

Demonstração do ritual de casamento cigano da etnia ROM pela primeira vez no Rio Grande do Norte, com Omar e Albaniza Ivanovichi 

 

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

vila cigana de Tangará um sonho próximo da realidade.

 Gija (Tangará), Diana (COEPPIR), Shirley Targino (SETHAS)

 

Coordenadora estadual do Cád ùnico


"vila cigana de Tangará", um sonho próximo da realidade.

Em parceria com a prefeitura da cidade de Tangará, nos reunimos extraordinariamente com a então Secretária Estadual de Trabalho Habitação e Assistência Social - SETHAS, Shirley Targino, dando continuidade ao nosso projeto pioneiro da "Vila cigana" para a nossa comunidade, os únicos ciganos abarracados do Rio Grande do Norte. 

Na oportunidade a promessa da concretização do sonho da comunidade, o projeto "vila cigana", idealizado pela nossa gestão enquanto articuladora das lideranças ciganas, através do pleito da comunidade. 

Compromisso firmado na reunião realizada entre a comunidade e a prefeitura da cidade, teve como finalidade estreitar os laços entre os dois lados, para a inclusão das políticas públicas na comunidade.

Trazendo desenvolvimento sustentável as famílias e resgatando sua cultura, costumes, e tradições, possibilitando o fim do marasmo de pobreza e dificuldade dos ciganos.

Diana.

_____________________________________________________________________

RELATO HISTÓRICO 


             1.  SITUAÇÃO ENCONTRADA NA COMUNIDADE CIGANA DE TANGARÁ.
   https://rorarani.blogspot.com/2012/01/a-realidade-dos-ciganos-calons-do-rn.html



2. Encontro Nacional de Saúde Cigana - Brasília/DF
https://rorarani.blogspot.com/2012/05/encontro-nacional-de-saude-cigana.html

Em 04 de Maio de 2012, no encontro Nacional de Saúde cigana, realizado em Brasília pelo Ministério da Saúde, mostramos pela primeira vez, através de um vídeo/fotos a situação calamitosa dos ciganos de Tangará. na ocasião, muitos que estavam presentes na Reunião em Brasília, não sabiam da existência de uma comunidade cigana inteira no Rio Grande do Norte ainda mais nestas condições.




3.  Em 16 de Fevereiro de 2013 - A situação não havia mudado, mesmo após denúncias em Brasília, então, procuramos a nova gestão da prefeitura da cidade. Líderes da comunidade, Diana - COEPPIR, CEDH, e CRDH, Pastoral dos Nômades, etc. A situação era de miserabilidade. Era a pior possível. Estavam com medo de serem expulsos de suas barracas, de não ter para onde ir.




4. Em 19 de Fevereiro de 2013 - A I reunião Ordinária entre as lideranças da comunidade, a Prefeitura de Tangará, membros da pastoral dos nômades, CRDH, CEDH, Diana - COEPPIR, Prof.º Flávio José de Oliveira, secretarias municipais de tangará
https://rorarani.blogspot.com/2013/02/reuniao-com-prefeitura-de-tangara-rn.html




5. Em 16 de Abril de 2013 - O encaminhamento Emergencial dado na reunião acima; solicitamos a limpeza do terreno ocupado pelos ciganos (terreno de posse) e a instalação Provisória de barracas novas vizinho ao terreno (na rua inutilizada), até a finalização do projeto da vila cigana.




6. Governo do Estado visita os ranchos de Serra e Tangará RN
https://rorarani.blogspot.com/2013/04/se-o-rancho-nao-vai-ao-governo-entao-o.html




COMPARATIVO:


Antes do nosso trabalho:
Em meio ao lixo, pobreza, e sujeira, as condições sub humanas de sobrevivência dos ciganos que moram na comunidade, era desoladora.




Após nosso trabalho
A paisagem mudada, terreno limpo, organizado, barracas novas já armadas provisoriamente.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Ciganos do Rio Grande do Norte, um povo "sem"

 

A miserabilidade na condição de vida de grande parte da população cigana da etnia calon no Brasil tem sido um ponto constantemente discutido nas redes sociais, em jornais, revistas, etc. Tal situação vem contrariando o texto constitucional explícito na Carta Magna Federal, onde preconiza em suas cláusulas Pétreas, nos seus setenta e poucos incisos. 

(A cláusula pétrea é parte do texto constitucional explícito no art 5º da CF, que relada entre outros “os direitos e garantias fundamentais individuais e coletivos”, que não pode ser alterado). 

Metaforicamente a lei parece não existir, pois a dificuldade de inserção de políticas públicas direcionadas as comunidades ciganas, é grande. São essas comunidades, as mais carentes de reconhecimento dos seus direitos e deveres perante a sociedade. É fato que não há como inserir políticas públicas sem a participação dos governos (Municipal, Estadual e Federal), mas é sabido que sem o povo não há governo, então, qual a justificativa plausível para as inúmeras publicações de ciganos em condições de extrema pobreza e miséria em um país que tanto se fala em inclusão social? 

A situação é semelhante em várias localidades no Rio Grande do Norte, independente de rancho (ciganos que moram em casas) ou acampamentos(ciganos que moram em barracas), onde poucos ciganos têm acesso à assistência social de fato. 

A saúde é precária no geral, mas na questão cigana além da precariedade, existe o preconceito institucional, que afasta o cigano no momento da necessidade de atendimento, quando isso acontece, o cigano não sabe a quem reclamar, se constrange, e vai embora revoltado, e sem entender nada. 

A educação não é diferente, observamos que no máximo dois ciganos chegam até a Universidade, as crianças são arredias, muitas não conseguem chegar ao ensino médio, e quando o fazem, é com extrema dificuldade. Com relação aos adultos, grande parte dos ciganos, são parcial ou totalmente analfabetos, o que dificulta a empregabilidade, seja autônoma ou não. com isso, a sustentabilidade fica gravemente comprometida aumentando o índice de dependência química, seja por medicamentos antidepressivos, ou até mesmo pelo consumo de drogas lícitas (bebidas e cigarros) e ilícitas também. 

A habitação é algo delicado de ser tratado, seja em ranchos (casas) ou em acampamentos (barracas), as condições de moradia são extremamente precárias, sem condições mínimas de sobrevivência, e ainda há uma dificuldade grande em se alugar casas, que em algumas cidades os jurens (não ciganos) não alugam a ciganos. 

Tal ação costumo chamar-la de efeito descriminação, pois desencadeia vários outros após ele, como um efeito dominó, que empurra uma necessidade a outra de forma negativa e desprovida de defesa. mas que causa efeitos catastróficos culturalmente falando. 

O fato de não "criar raízes" devido as perseguições etnicorraciais é uma cultura agrafa(passada dos pais para os filhos) ou seja, de certa forma uma cultura flutuante no quesito normandismo.  

Da cultura mesmo, pouca coisa restou, acabaram-se as grandes turmas, que negociavam animais, que viviam das trocas e negociações, sobrou ao cigano vender pequenos objetos nas feiras; um relogio, um celular, ou coisas do gênero, uma vez por semana.  

Os belos e longos cabelos das ciganas de antigamente, hoje são substituídos aos poucos pelos cortes modernos cada vez mais curtos, Os lindos e rodados vestidos ciganos, aos poucos são substituídos pelas roupas de jurins (não ciganas), as ciganas mais jovens não praticam a leitura de mãos, pois não gostam de serem apontadas nas ruas, então essa tarefa fica a cargo das ciganas mais velhas, que trazem diariamente o sustento das famílias, com a arte do drab/drabarimôs (leitura de mãos). não vemos hoje em dia, os casamentos pomposos de mais de uma semana em festas, como antigamente. mas a essência do cigano permanece a mesma, pois todos eles sentem a falta dos tempos que não voltam mais, onde se recordam saudosos com os olhos cheios de lágrimas. 

O povo cigano necessita urgentemente da inclusão social, sob pena de perca cultural total. obviamente, com o cuidado de quem cuida de uma joia rara, respeitando suas especialidades culturais, pois a inclusão de forma radical é o mesmo que mutilá-los, pois limita a sua liberdade, o que é extremamente precioso para o cigano. 

A cultura cigana faz parte do cigano assim como um membro que não deve ser separado do seu corpo. É necessário tratar situação de forma desigual com a finalidade de estimular o nivelamento étnico-racial em nosso o país.  

A cidadania cigana é acima de tudo a respeitabilidade de um povo milenar, que carrega um grande sofrimento marcado em sua alma, que nada diz em palavras, mas que fala pelo olhar. 

Iniciar um diagnóstico real da situação, é um grande passo para a erradicação do preconceito, contribuindo com o desenvolvimento socioeconômico de um povo marginalizado pelo desconhecimento dos jurens (não ciganos), e até pela falta de respeito e reconhecimento da cultura de um povo, que muito contribuiu na construção do país. 

O povo cigano, é um povo que resiste ao tempo, que se acostumou a apanhar calado, sem reclamar. e que em alguns casos se sente anestesiado de dor, pois se acostumou com o sofrimento. É notável que o povo cigano é inteligente, e como dizia vovó, "tirar leite de pedra”, ou seja, “é de uma sabedoria monstra” (gíria de rancho) e sabe sobreviver em meio as dificuldades, mas que expressa em seu olhar a dureza do sofrimento que sentiu com as pancadas na alma. 

Diana

(Obra de minha autoria devidamente registrada).